terça-feira, 12 de março de 2019

Um

É lamentável ver que muitas pessoas estão dispostas a utilizar as redes sociais para relativizar questões importantes e delicadas, ignorando como suas declarações podem afetar aqueles expostos à elas. Principalmente os que são parte de seu convívio social real.

Não consigo evitar pensar que, para estes indivíduos, criar, vender e sustentar uma persona fictícia de si próprio tornou-se tão essencial que defender suas narrativas perante a "sociedade virtual" suplantou a preocupação em expressar suas opiniões de maneira sensata e respeitosa. Muita gente está esquecendo que o fato de você não ter que lidar imediatamente com os sentimentos dos que o seguem não significa que seus seguidores não sintam nada. 

Partindo daí, é possível elucubrar que as supostas barreiras que as tecnologias de interação e comunicação quebraram, na verdade apenas mudaram de aparência. Não estamos mais próximos uns dos outros. Pelo contrário, estamos tão distantes que pouco importa se alguém se sentirá magoado pelo que digo. Comentamos vídeos, e tweets, e fotos, e instories, sem realmente desejar estabelecer diálogo. Tudo virou propaganda pessoal.

Se isto for uma descrição acurada de parte da subjetividade humana, pode-se considerar que falamos sem pensar direito pois não nos dedicamos a realmente escutar o que os outros estão dizendo. Em contrapartida, não nos esforçamos para escutar os outros justamente pois estes tem, aparentemente, falado suas ideias sem elaborá-las de maneira construtiva.

Para além disto, a frieza do mundo digital transformou em adversários pessoas muito parecidas, que divergiam em apenas alguns pontos. A globalização da comunicação tem matado diariamente o diálogo e dado espaço a um monólogo direto com um mundo que, muitas vezes, nem está te ouvindo.

Ironicamente, é isso que deu vida a este texto. A única diferença é que estou tentando não ofender ninguém. Que todos possam refletir sobre estas palavras sem sentir rancor ou ódio quando o fizerem.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Zero

É difícil escrever qualquer coisa quando qualquer coisa parece não valer a pena ser dita. Mais difícil ainda é escrever sobre algo que você não tem o menor interesse em abordar.

É difícil querer ser algo que a experiência prática mostra consistentemente que não é a sua natureza.

Não adianta gostar de algo. É preciso ser bom neste algo. E talvez você não seja bom o suficiente.

Então, você tem duas opções: 1) aprimore-se ou; 2) desista.